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Transamericana: um documentário sobre gente


Transitando recentemente pelo Instagram esbarrei com um post que indicava o lançamento, no mesmo dia, do documentário “Transamericana”, do ultramaronista e atleta Salomon, Rickey Gates.


Pra quem não sabe, a Salomon é uma marca especializada em equipamentos voltados para a prática de várias modalidades de corrida que, semelhante ao que outras gigantes fazem (i.e., The North Face, Nike, Redbull, Gopro, etc.), vem utilizando a produção de documentários como uma interessante ferramenta de marketing.


Veja bem, não sou especialista em marketing; pelo contrário, durante o horário comercial (i.e., 24h por dia) eu sou um advogado de m&a bastante feliz com a minha profissão. O problema é que essa felicidade é quase sempre drenada no exato momento em que topo com coisas como o Transamericana. Infelizmente, é recorrente.


Não sei se é só comigo, mas esse tipo de publicação parece cutucar aquele lado aventureiro e curioso que está enterrado em pilhas de contratos e reuniões intermináveis. Você assiste a um vídeo e em seguida se vê planejando a próxima viagem que nem sabia que iria fazer e que, no fim, não vai fazer mesmo, por qualquer razão. É quase como um transe.


Bem, me deixando um pouco de lado e indo ao que interessa, o documentário retrata a viagem de Rickey cortando os Estados Unidos a partir da costa da Carolina do Sul até São Francisco, mas, mais importante que isso, em um contexto de grandes mudanças políticas após a eleição de Donald Trump para a presidência do país, retrata de forma bastante cativante a jornada do ultramaratonista em busca de um conhecimento mais profundo do seu próprio povo.


Logo no início, talvez por conta de traumas recentes (problemas de relacionamento, eleição de Trump, etc.), Rickey se vê pensando que nós vivemos em uma época em que é muito fácil viver em bolhas onde quase todos ao nosso redor pensam parecido. Porém, ao longo da jornada, o espectador mais atento vai notando uma evolução deste discurso, que acaba culminando na conclusão do próprio corredor de que, na verdade, é muito mais parecido do que diferente das outras pessoas.


Isto não é sem razão. À medida em que os quilômetros vão se acumulando (são quase 6 mil), a gente nota que a pretensão inicial, que era de realizar uma espécie de maratona política, é soterrada pela descoberta de que as pessoas não estavam realmente interessadas em discutir política, estavam, na verdade, interessadas na pessoa de Rickey e, como o próprio interlocutor reconhece ao fim, Transamericana é uma história sobre se abrir para algo tão simples quanto o interesse genuíno de completos estranhos; é uma história sobre sair da bolha e viver em sociedade.


E aí, você já comprou seu tênis Salomon?


O documentário você pode assistir aqui:



Esse post foi originalmente postado em nossa página no Medium.

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